A fatura de energia elétrica de uma empresa do Grupo A pode ter mais de 20 itens de cobrança distintos. Tarifas de consumo, demanda, TUSD, ICMS, PIS/COFINS, bandeiras tarifárias, multas por ultrapassagem, reativos — cada linha tem regras específicas e pode conter erros.

O problema: a maioria dos gestores financeiros não tem formação técnica para auditar esses itens. E as concessionárias, obviamente, não têm incentivo para apontar cobranças que beneficiam o faturamento delas.

Em faturas com histórico de 24 meses auditadas pela Humphry, encontramos cobranças indevidas em mais de 70% dos casos.

Abaixo estão os cinco tipos de erro que aparecem com maior frequência — e maior impacto financeiro.

Infográfico
Onde os erros aparecem na fatura — pontos de atenção
Fatura de Energia — Exemplo R$ 48.720
Consumo Fora Ponta (kWh)
R$ 14.380
Demanda Medida — Ponta
R$ 6.940
Ultrapassagem de Demanda
R$ 4.120
Consumo Ponta (kWh)
R$ 3.880
Energia Reativa Excedente
R$ 2.640
TUSD
R$ 5.210
ICMS — Base de cálculo
R$ 9.880
PIS / COFINS
R$ 1.670
1
Ultrapassagem de demanda
Ocorre quando a demanda medida supera a contratada. A penalidade é calculada sobre o excedente com fator multiplicador de 3x.
2
Demanda faturada acima da necessária
Demanda contratada acima do pico histórico: paga-se por capacidade que nunca será usada.
3
Energia reativa excedente
Equipamentos sem correção de fator de potência geram cobrança adicional por reativos além do limite regulatório.
4
Base de cálculo do ICMS incorreta
O ICMS deve incidir apenas sobre determinados componentes. Erros na base de cálculo são frequentes e recuperáveis.
5
Modalidade tarifária inadequada
O custo estrutural errado não é uma cobrança pontual — é um pagamento a maior todos os meses, por anos.

As 5 cobranças, explicadas

Clique em cada item para ver os detalhes. Quanto mais familiar esses termos soarem, mais preparado você estará para defender sua empresa.

01
Ultrapassagem de demanda
Penalidade aplicada quando o pico de demanda supera o valor contratado
Impacto
Alto

A ANEEL permite uma ultrapassagem de até 5% da demanda contratada sem penalidade. Acima disso, a cobrança incide sobre o excedente com uma tarifa 3 vezes maior que a tarifa normal de demanda. Para empresas que cresceram o consumo sem revisar o contrato, essa linha pode representar R$ 3.000 a R$ 20.000 mensais de cobrança desnecessária — que seria eliminada com um simples ajuste na demanda contratada junto à concessionária.

02
Demanda contratada acima do necessário
Pagamento por capacidade que a empresa nunca usa
Impacto
Alto

No Grupo A, a empresa paga a demanda contratada mesmo que não a utilize. Se uma empresa contratou 500 kW e sistematicamente usa 320 kW, está pagando por 180 kW todo mês sem benefício algum. A demanda ideal é calculada com base no histórico de medições — geralmente nos 12 meses anteriores — e a renegociação exige um processo formal que precisa ser feito no momento certo para evitar penalidades de subcontratação.

03
Energia reativa excedente
Cobrança por baixo fator de potência nos equipamentos
Impacto
Médio

Motores elétricos, transformadores e ar-condicionado consomem energia reativa além da ativa. Quando o fator de potência cai abaixo de 0,92, a ANEEL autoriza a concessionária a cobrar um adicional sobre o excedente. Essa cobrança é completamente eliminável com a instalação de banco de capacitores — um investimento com retorno de 6 a 18 meses na maioria dos casos. O que poucos sabem é que parte dos valores cobrados retroativamente pode ser recuperada.

04
Erros na base de cálculo do ICMS
Tributo calculado sobre componentes que deveriam ser isentos
Impacto
Alto

A legislação do ICMS sobre energia elétrica é complexa e varia por estado. Em muitos casos, a concessionária inclui na base de cálculo do ICMS componentes que não deveriam ser tributados — como TUSD e TUST em alguns estados, após decisões do STJ. Para empresas com consumo elevado, esse erro pode representar pagamentos indevidos de R$ 5.000 a R$ 50.000 por mês, recuperáveis nos últimos 5 anos via processo administrativo ou judicial.

05
Modalidade tarifária inadequada
O erro estrutural mais caro — paga-se a mais todos os meses, por anos
Impacto
Muito alto

Tecnicamente não é uma cobrança indevida — é uma cobrança correta na modalidade errada. Uma empresa na Modalidade Verde que se beneficiaria da Azul (ou vice-versa) paga a mais em toda fatura, por anos a fio, sem nenhuma irregularidade formal. A diferença pode ser de 15% a 30% do total da conta. Como é um erro estrutural e não pontual, não há retroatividade — o prejuízo é permanente até que a migração seja feita.

5anos
Prazo de prescrição para recuperação retroativa. Cobranças indevidas em itens como ICMS, reativos e ultrapassagem podem ser recuperadas dos últimos 60 meses via processo administrativo junto à concessionária ou ação judicial.
O que sua empresa precisa para saber onde está perdendo dinheiro

Uma auditoria completa de faturas exige histórico de 12 a 24 meses de faturas, leitura técnica dos itens de faturamento e cruzamento com a legislação tarifária vigente por estado e concessionária. Não é algo para ser feito em uma tarde — mas o retorno, quando erros são encontrados, costuma ser múltiplo em relação ao custo da análise.